Contos de terror para ler no Carnaval

(Imagem de capa: Vlad Hilitanu)

Saudações, leitor noturno!

O ano de 2020 foi completamente diferente de todos os outros anos, mas conforme vamos passando por 2021, já dá para ver que ainda falta muito para voltarmos à vida normal. E para nós brasileiros o normal seria estar pulando Carnaval esta semana. Infelizmente a folia teve que ficar para o ano que vem. Mas não é porque a gente vai passar o Carnaval em casa que não vamos celebrar, não é mesmo?

Por isso selecionei alguns contos de terror para você passar esse Carnaval em casa sem abrir mão nem do espírito carnavalesco nem dos calafrios.

O Barril de Amontillado- Edgar Allan Poe

Um dos contos mais conhecidos de Edgar Allan Poe, “O Barril de Amontillado” se passa durante o Carnaval em uma cidade italiana. É bem possível que o autor esteja fazendo uma referência ao icônico Carnaval de Veneza, conhecido por suas ricas fantasias e pelas máscaras elaboradas, por trás das quais os foliões escondem suas identidades para se divertir. O narrador da história, Montresor, também usa uma máscara. mas não é uma máscara física. Por trás de uma fachada de amizade e camaradagem, ele guarda um enorme ressentimento e um feroz desejo de vingança. Seu amigo Fortunato não sabe o que o espera. Uma história macabra, na qual nem tudo é o que parece.

Onde ler? “O Barril de Amontillado” é um dos contos mais populares de Edgar Allan Poe e pode ser encontrado na maioria das coletâneas do autor. Está no volume 1 da Seleção Medo Clássico da Darkside , em Histórias Extraordinárias da Companhia das Letras e em Contos de Imaginação e Mistério da Tordesilhas.

A Máscara da Morte Rubra- Edgar Allan Poe

Outro clássico de Poe, que eu já traduzi aqui para o blog durante nosso especial de comemoração ao aniversário do autor. “A Máscara da Morte Rubra”(ou “A Máscara da Morte Vermelha” em outras traduções) não se passa exatamente durante o Carnaval, mas sim durante uma grave pandemia, que varre o reino, causando centenas de mortes agonizantes. Para o Príncipe Próspero, no entanto, a vida continua a ser um eterno Carnaval. Ele se isola com seus cortesãos em um castelo onde a folia não para, enquanto o povo morre do lado de fora. Mas, durante um grande baile à fantasia, Próspero logo descobre que nem toda a riqueza e alegria do mundo podem protegê-lo do perigo que finalmente chega à sua porta.

Onde ler? Aqui mesmo na Biblioteca Noturna!

Bate-bola do grupo Havita em Oswaldo Cruz Foto: Divulgação/Vincent Rosenblatt / © Vincent Rosenblatt

Bate-bolas fora de época- Hedjan C.S.

O bate-bola é uma tradição profundamente carioca, e mais que isso, quintessencialmente suburbana. Tanto que muita gente que não mora no Rio nunca nem ouviu falar deles. Mas pergunte para qualquer um que cresceu no Rio, e a primeira coisa que vai ouvir é o quanto os Bate-Bolas são assustadores. As máscaras grotescas tecido rústico e as roupas largas e cheias de enfeites espalhafatosos não só tem um visual sinistro como servem de disfarce perfeito para quem quer sair no Carnaval com intenções malévolas. Mas pelo menos eles só circulam por aí durante o Carnaval, não é mesmo? Talvez não, pelo menos é o que um rapaz contratado para cuidar de um capitão do exército velho e doente descobre neste conto, no qual os pecados do passado voltam para cobrar a conta.

Onde ler? No livro “Gótico Suburbano” de Hedjan C.S. publicado pela Editora Luva.

A morte da porta-estandarte- Aníbal Machado

O Carnaval carioca tem um longa história e muita tradição, por isso mesmo é cheio de histórias, que vão desde aquelas que nos alegram até as tragédias. Ao longo das décadas, o carioca que acompanha o Carnaval viu artistas surgirem, também viu artistas morrerem, escolas de samba triunfarem na avenida ou serem vítimas de catástrofes, sambistas e passistas irem da glória à derrota, sorrindo de alegria ou chorando de tristeza. É a magia do carnaval carioca, no qual tudo pode acontecer. “A morte da porta-estandarte” conta história de uma tragédia de Carnaval. Não é exatamente uma história de terror, mas sim um relato de obsessão e da dor que a violência deixa para quem fica. A hipersexualização do corpo da mulher negra e o sentimento de posse montam o cenário para um desfecho brutal

Onde ler? Na coletânea de contos “A morte da porta-estandarte, Tati, A Garota e outras histórias” publicada pela editora Record.

Os buracos da Máscara-Paul Lorrain

Paul Lorrain foi um dos maiores expoentes da literatura francesa do fin-de-siècle, da corrente artística conhecida como Decadentismo. O submundo de vícios e “libertinagem” que convivia lado a lado com o luxo e o esplendor artístico da Belle Époque francesa era o tema central deste movimento, e Paul Lorrain, boêmio, viciado e assumidamente gay em uma época em que a homossexualidade era completamente tabu, o seu representante perfeito. Neste conto, o protagonista aceita um convite para um baile de Carnaval. Mas o que deveria ser uma noite de diversão, vai aos poucos ganhando os contornos sinistros e grotescos de um pesadelo, conforme o narrador vai mergulhando na loucura…ou talvez numa lucidez cruel que lhe revela seu próprio eu.

Onde ler? Na coletânea “Contos Fantásticos do Século XIX” compilada por Ítalo Calvino e publicada pela Companhia das Letras.

O Bebê da Tarlatana Rosa- João do Rio

O Rio de Janeiro da Belle Époque é, de uma certa forma, o que deu origem a muita da mística da cidade maravilhosa. Os carnavais, as fantasias, os prédios afrancesados do centro da cidade, a cultura de rua, do andar na rua, beber e confraternizar na rua, assim como o amor pelo futebol, e os quatro grandes do futebol carioca, tudo surgiu ou pelo menos se afirmou durante a Belle Époque carioca. E nenhuma figura representa melhor essa época do que aquele que tinha o Rio até no nome. João do Rio retratou uma cidade fervilhante de vida e cultura. Logicamente, o Carnaval é uma parte fundamental deste retrato do Rio. Mas como vimos, o Carnaval também tem seu lado sombrio. E é isso que Heitor de Alencar descobre ao sair para a folia ” disposto ao excesso, disposto aos transportes da carne e às maiores extravagâncias.” e acabar caindo nos encantos de uma misteriosa criatura fantasiada de bebê.

Onde ler? Na antologia de Contos “João Rio” da editora Lazuli

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