Contos de terror para ler no Dia do Professor

Saudações, leitor noturno!

Hoje é dia do professor. E nós sabemos bem que a vida desses profissionais está longe de ser fácil. Professores trabalham muito, levam trabalho para casa, não são bem-remunerados e ainda tem que lidar com condições de trabalho que nem sempre são ideais, especialmente aqui no Brasil. Mas apesar de todas as dificuldades, professores e professoras seguem fazendo um trabalho fundamental para a sociedade, formando todos os outros profissionais.

É claro que uma profissão tão importante já ganhou diversas homenagens literárias. A ficção está cheia de professores maravilhosos como a Srta. Honey de “Matilda”, Bill de “As vantagens de ser invisível” ou Minerva McGonagal de “Harry Potter” e tantos outros (e é claro também há vários exemplos de professores vilões, está aí Dolores Umbridge que não nos deixa mentir).

Então, para comemorar esse dia, que tal ler alguns contos de terror protagonizados por professores?

Que sofram as criancinhas- Stephen King

Onde ler? Na coletânea “Pesadelos e Paisagens Noturnas” Volume 1

O universo escolar é bem familiar para Stephen King, que foi professor de inglês do segundo grau nos anos 70, antes de sua carreira deslanchar com a publicação de “Carrie”. Não é de se espantar que muitos dos romances e contos de Stephen King se passem em escolas ou tenham como protagonistas crianças e adolescentes em idade escolar, lidando com problemas e descobertas típicos dessa fase. Mas no conto “Que sofram as criancinhas”, a protagonista é uma professora. Emily Sindley dá aula para a terceira série, e um dia, durante uma aula como outra qualquer, ela percebe que Robert, um de seus alunos está agindo de forma um tanto…estranha. Ela decide conversar com o menino, e o que ele revela lança Emily em uma espiral de desespero e paranoia. O que se segue é uma história opressiva e sombria na qual realidade e loucura se misturam.


Às vezes eles voltam- Stephen King

Onde Ler? Na coletânea “Sombras da Noite”

No segundo conto de Stephen King selecionado para a lista, somos apresentados a outro professor assombrado pelo sobrenatural. Quando tinha 9 anos de idade, Jim e seu irmão mais velho, Wayne, foram atacados por um bando de delinquentes juvenis. Jim consegue escapar, mas Wayne é esfaqueado por um dos garotos e morre. Ao longo da vida, Jim é assombrado por pesadelos vívidos sobre a morte do irmão. Quase vinte anos depois, Jim Norman, agora um homem casado, volta à sua cidade natal para trabalhar como professor de Inglês. Tudo parece ir bem até que um novo aluno entra em sua turma. Um aluno novo que é absolutamente idêntico ao garoto que esfaqueou Wayne. Idêntico? Não, é exatamente o mesmo garoto. E o pior? Ele está disposto a matar de novo…

A Morte na Sala de Aula-Walt Whitman

Onde ler? Na coletânea “Contos de Horror do século XIX” organizada por Alberto Manguel

Walt Whitman (1819-1892) foi poeta, escritor, jornalista e professor. Whitman era um grande crítico das práticas educacionais rígidas do século XIX, e defensor da expansão do ensino público e de uma abordagem mais humanista para a educação. Não é por nada que seu poema “O Captain! My captain!” é um tema importante do filme “A Sociedade dos poetas mortos”. Uma das bandeira mais caras de Whitman era a questão da punição física. A crítica dura de Whitman aos castigos físicos comuns nas escolas de sua época aparece vividamente no conto “Morte na Sala de Aula”. Este é o único conto da lista no qual o professor é o vilão, mas na verdade ele é só uma representação da opressão e violência comuns no sistema educacional do século XIX.


A Sombra vinda do tempo- HP Lovecraft

Onde ler? A obra foi publicada pela editora Hedra.

H. P. Lovecraft dispensa apresentações para qualquer fã de terror ou ficção científica que se preze: ele só é um dos maiores nomes da história de ambos os gêneros literários e o autor que transformou o “horror cósmico” em um subgênero definido do horror. Os contos e novelas de Lovecraft são cheios de acadêmicos, cientistas e professores, mas a novela “A sombra vinda do tempo” entra nesta lista por ser relativamente menos conhecida e merecer mais atenção do público leitor. A história é narrada por Nathaniel Wingate Peaslee, professor de Economia Política. Nathaniel sofre com vívidas alucinações e pesadelos com estranhas criaturas e paisagens surreais. Ele começa a achar que está perdendo a sanidade, até descobrir outros casos semelhantes ao seu ao longo da história….


A Expedição Montserrat-Bráulio Tavares

Onde ler? Na Coletânea “Sete Monstros Brasileiros”

Bráulio Tavares é um tradutor, escritor, poeta, dramaturgo pesquisador cujos trabalhos tanto em tradução quanto em pesquisa e literatura não podem faltar na prateleira que qualquer fã de horror, fantasia e ficção científica que se preze. Além de já ter traduzido nomes como Edgar Allan Poe e H. G. Wells, Bráulio Tavares escreve seus próprios contos e suas próprias histórias de terror, e o livro “Sete Monstros Brasileiros” é uma verdadeira obra prima do gênero, combinando horror contemporâneo com lendas do folclore brasileiro. O conto “A expedição Montserrat” explora o misterioso desaparecimento de um grupo de professores universitários, alunos e pesquisadores durante uma expedição científica no centro-oeste do Brasil. O estilo enxuto, baseado em documentos e depoimentos dá um tom de “documentário” que só deixa o horror mais desconfortável e real.


Situação hipotética para reflexão-Hedjan C.S

Onde ler? Na coletânea “Das Sombras”

Hedjan Costa já apareceu na nossa lista de contos de Carnaval, e não é a toa que está de volta. É um autor jovem e muito ativo na cena da literatura de horror no Brasil. Seus contos são uma deliciosa mistura de horror sobrenatural e situações comuns do quotidiano brasileiro. O protagonista de “Situação Hipotética para Reflexão”, Macário, é professor de física em um cursinho pré-vestibular comunitário. Em um sábado chuvoso de Carnaval, ele termina uma aula e começa a se preparar para ir para casa, quando recebe uma visita estranha: Bertrand, um amigo de infância, fantasiado para o carnaval, e visivelmente transtornado. Bertrand propõe a Macário uma “situação hipotética para reflexão”. Um conto atmosférico, no qual mais do que o explícito, é o implícito que causa arrepios.

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