Día de los muertos: celebração de vida e morte

Saudações, leitor noturno!

Hoje é dia 2 de Novembro, Dia de Finados.

Foto por Daian Gan em Pexels.com

No dia de hoje, muitos brasileiros enchem os cemitérios para levar flores, acender velas e lembrar familiares e amigos que já se foram, muitos aproveitam para lavar e fazer outras pequenas manutenções em túmulos e jazigos perpétuos, já outras pessoas vão à missa, ou apenas fazem uma oração em casa mesmo. Geralmente é uma celebração discreta e silenciosa.

O feriado de Finados é celebrado por quase todas as denominações cristãs ocidentais, e em todos os países de maioria católica e cada lugar tem suas maneiras especiais de marcar a data, mas nenhum faz isso como o México.

A Festa dos mortos

Dizer que o “Día de los Muertos” no México é uma festa não é um exagero. É um dia para o qual os Mexicanos se preparam com semanas ou até meses de antecedência. Casas, igrejas e ruas são enfeitadas com bandeirinhas de papel parecidas com as de festa junina, que são chamadas de “papel picado” pois tem recortes em formato de caveiras, flores, pássaros e diversos motivos. Desfiles e paradas tomam as ruas com pessoas vestidas em trajes tradicionais e maquiagem de caveira. Muitos desfiles incluem elementos pré-hispânicos como adereços de penas, instrumentos musicais indígenas e reproduções de lanças e escudos. Em algumas cidades, como Aguascalientes onde se celebra o “Festival de las calaveras”, os desfiles tem até carros alegóricos

Assim como os brasileiros, os mexicanos vão para os cemitérios enfeitar os túmulos de seus falecidos e prestar suas homenagens, mas no México o nível de complexidade das “ofrendas” (oferendas) depositadas é comparável ao de obras de arte. As ofrendas são altares particulares (que podem ser montados no cemitério ou em casa) ou públicos (em igrejas e praças) onde são colocadas fotos dos falecidos, e também suas as comidas e bebidas favoritas a fim de recebê-los bem quando vierem visitar, já que acredita-se que as barreiras entre o mundo dos mortos e dos vivos são temporariamente suspensas nesse dia. É importante que as almas dos falecidos ouçam as preces feitas em seu nome, e que ouçam também todas as coisas boas que seu familiares e amigos lembram deles. Por isso, contar histórias felizes ou engraçadas sobre aqueles que já se foram é encorajado, pois isso mostra aos falecidos o quanto são lembrados e amados. As ofrendas são enfeitadas com papel picado, velas, imagens religiosas e flores, especialmente os cempasúchil (tagetes erecta, conhecida no Brasil como “cravo de defunto”). No México, essa flor de coloração amarela ou alaranjada é chamada de “flor de muerto”, e acredita-se que elas atraem as almas para as oferendas deixadas nos cemitérios ou em casa. Para as almas das crianças (ou “angelitos”) colocam-se brinquedos e doces.

Altar tradicional em Milpa Alta, Cidade do México (fonte: wikicommons)

Algumas da comidas tradicionais desse feriado (que são tanto consumidas pelos vivos quanto oferecidas para os mortos) são o pan de muerto (um tipo de pão doce que pode ter sabor de anis, de água de flor de laranjeira ou raspas de laranja, e decorado com açúcar), alfeñiques (docinhos de açúcar) em formato de caveirinhas decoradas com cores vibrantes, o pozole (uma sopa de milho com carne de porco ou frango) e os tamales (que são parecidos com a nossa pamonha de milho, mas são salgados e tem vários recheios, como queijo, legumes ou qualquer tipo de carne). Também são consumidas bebidas alcóolicas e não alcóolicas. A mais tradicional é o pulque, uma bebida fermentada feita de agave que data dos tempos pré-hispânicos, mas também se bebe tequila e mezcal (um destilado mais rústico que a tequila, no qual, às vezes, se coloca um gusano, uma larva de mariposa que se desenvolve no agave). As bebidas não-alcóolicas mais populares são o atole (uma bebida quente de milho), o champurado (atole com chocolate) e a água de Jamaica (chá gelado de hibisco). Acredita-se que as almas comem a “essência espiritual” desses alimentos, e que depois, ao serem consumidas pelos vivos, essas comidas não teriam valor nutricional.

File:PANDEMUERTO.jpg
Comidas tradicionais: tequila, pozole, pan de muerto, tamales e um alfeñique de caveira.
(foto: Luis VG)

Há muitas variantes locais na forma como o “Día de los muertos” é festejado. Algumas famílias deixam travesseiros e lençóis preparados para que os mortos possam descansar da jornada entre os dois mundos e em muitas cidades como Pátzcuaro e Janitzio, no estado de Michoacán, as famílias passam a noite inteira no cemitério para fazer companhia às almas dos familiares. Na península de Yucatán, se celebra o Hanal Pinxán (“Comida das almas”), um festival com elementos maias e cristãos, no qual se coloca uma oferenda na porta de casa para “el anima sola”, isto é a alma que não tem para onde ir. Em Tabasco, acredita-se que os falecidos passam o mês de Novembro inteiro sobre a terra, então qualquer dia pode ser usado para consagrar preces, ainda que os principais continuem sendo os dias 1 e 2. Na comunidade de San Andrés Mixquic, na cidade do México, o dia 2 de Novembro culmina na Alumbrada, quando o cemitério da igreja principal é enfeitado com tanto incenso e tantas velas que parece até brilhar. Em muitas cidades grandes, crianças fantasiadas batem de porta em porta ou abordam pessoas na rua pedindo uma “calaverita” , ou seja um presente que pode ser em doces ou em dinheiro. Essa é uma tradição recente, que provavelmente surgiu por influência do Halloween.

Alumbrada em San Andrés Mixquic (foto: Thelma Datter)

Morte e sacrifício nas tradições pré-colombianas

As origens das celebrações do Día de los Muertos no México tem sido fonte de algum debate entre historiadores, mas é impossível negar que há muitos elementos Pré-Colombianos na festividade.

Na cidade pré-asteca de Teotihuacán, a população tinha o costume de fazer oferendas aos mortos, praticando rituais que tinham por objetivo ajudar o falecido a chegar em segurança a um dos quatro paraísos do pós-morte. Essas oferendas continham comida, incenso de resina de copal e utensílios. Estudiosos espanhóis e Mexicanos encontraram urnas no sítio arqueológico de Teotihuacán nas quais haviam restos de cosméticos datados de 200 ou 500 d.C, que eram utilizados em cerimônias de homenagem nas quais os mortos, que eram exumados e vestidos e maquiados cerimonialmente. Há também indícios de sacrifícios humanos, por exemplo na consagração da pirâmide da Serpente Emplumada.

Detalhe de um enterro coletivo dos sacrificados na consagração da pirâmide da Serpente Emplumada (foto: S.Sheppard)

Os Maias tinham uma visão profundamente ritualística da morte, e acreditavam que qualquer pessoa que morresse por suicídio, complicações de parto, via sacrifício ou de alguma outra forma “não natural” era transportada diretamente para o céu. Qualquer morte violenta garantia entrada automática no equivalente maia do paraíso porque os deuses os acolhiam como dádivas sacrificadas em sua honra. Pessoas escolhidas para ser sacrificadas ritualmente costumavam receber homenagens públicas, como desfiles. O calendário Maia tinha datas muitas fixas para festivais e rituais específicos, e muitos deles envolviam algum tipo de sacrifício, desde rituais nos quais líderes políticos e religiosos usavam o próprio sangue como oferenda até aqueles em que a vítima tinha o coração retirado do peito ainda viva ou era atirada em um cenote (olho d’água subterrâneo) ou até decapitada ao final de uma partida de um esporte conhecido como “jogo de bola mesoamericano” (se você assistiu o filme animado “A caminho do Eldorado”, deve saber que jogo é esse.)

Recriação moderna do jogo de bola mesoamericano, felizmente sem o sacrifício humano. (fonte: wikicommons)

Diversos deuses do panteão Asteca (ou Mexica) recebiam sacrifícios humanos, e para cada um deles havia um método específico de sacrifício, por exemplo para Huitzilopochtl (entidade tribal dos Mexicas, associado com o sol) arrancava-se o coração da vítima, para Tezcatllipoca (deus da noite e do destino), o sacrifício era feito via combate ritual, e já para Xiuhtecuhtli (deus do fogo) as vítimas eram queimadas. Assim como os Maias, os Astecas acreditavam mortes violentas ou incomuns conduziam a alma à um pós vida melhor, por exemplo os que morriam (ou eram sacrificados) por afogamento, renasciam no domínio de Tlaloc, o deus das chuvas, já os homens que morriam em combate e mulheres que morriam de parto iam para Omeyocan, a morada do sol e domínio do deus supremo Ometecuhtli. Aqueles que morriam de formas “comuns” iam para o Mictlan, domínio de Mictlantecuhtli e sua esposa Mictecacihuatl, um lugar escuro, triste no qual as almas precisavam para por provas para renascer. Mictlantecuhtli e Mictecacihuatl eram representados como esqueletos decorados com penas e adereços, bem similares às figuras de caveiras do Día de los Muertos.

Mictlantecuhtli descrito no códice Fejervary-Mayer (fonte: wikicommons)

Outros povos pré-colombianos também praticavam o sacrifício humano, ainda que não o fizessem na mesma proporção que os Astecas. Por exemplo, os códices Mixotecas, contém documentação de sacrifício humano, e ainda há debate sobre se os Zapotecas eram adeptos da prática. Sacrifícios eram considerados parte normal da vida religiosa dos Mexicas, Maias e outros povos pois eles viam a morte como uma continuação da vida, e não como seu oposto ou término. Então, a forma como uma pessoa morria era determinante para destino que sua alma teria no outro mundo, isto é para a continuação de sua existência. A morte era vista como um rito de passagem e uma espécie de renascimento.

Quando os espanhóis derrotaram o Império Asteca e começaram a violenta colonização do território que viria a ser o México, uma de suas prioridades (além da exploração de recursos econômicos, obviamente) era a expansão do Cristianismo e a eliminação completa dos sistemas religiosos já existentes. A coroa espanhola e a igreja católica trabalharam juntas para expandir o domínio sobre os territórios americanos e seus povos (conquistar terras e conquistar almas), e a destruição dos modos de vida e ritos religiosos das populações indígenas era uma condição necessária para esse projeto.

Se você leu o post sobre o Halloween, já deve saber para onde essa história está se encaminhando.

Assim como no caso da expansão do Cristianismo entre os Celtas, não houve uma transição imediata entre a religião antiga e a nova. Os sacrifícios humanos e outras práticas consideradas mais “bárbaras” pelos espanhóis foram suprimidas à força, mas apagar as crenças e os modos de encarar a morte e a vida que tinham sido parte da cultura e da psique dos povos pré-hispânicos por séculos era algo muito mais complexo. Os primeiros missionários, um grupo de Franciscanos, chegaram em 1524, e depois deles vieram outros, em números inicialmente bem reduzidos: doze por ano, para cristianizar uma população de milhões. Uma missão aparentemente impossível.

Os religiosos logo perceberam que a tarefa não seria fácil, e que para completá-la seria preciso, primeiramente aprender a língua dos nativos, e entender um pouco de como sua mente funcionava. Por essa razão, temos até hoje diversos documentos escritos por missionários descrevendo a cultura e religião dos povos indígenas do México, como a História General de las Cosas de Nueva España de Bernardino de Shagún, e a História General de las Índias de Bartolomeu de las Casas.

Ainda que alguns poucos religiosos tivessem um interesse genuíno em aprender mais sobre os povos que encontraram (como foi o caso de Bartolomeu de las Casas), a maioria via esse conhecimento apenas como um recurso para ajudá-los no processo de cristianização forçada destes povos. Assim como os conquistadores, esses religiosos consideravam os documentos e códices astecas e maias (livros pictóricos que continham informações sobre história e religião) como uma ameaça. Centenas de códices foram destruídos, mas a tradição conseguiu sobreviver durante o período colonial (boa parte dos códices preservados são deste período). O interessem em “aprender” sobre os povos pré-hispânicos e sua cultura era principalmente com o objetivo de dominação, e não de conservação.

Os missionários começaram a usar seu conhecimento dos elementos da própria cultura e religião que pretendiam apagar como ferramentas a impor sua religião. Igrejas foram construídas com pátios abertos onde eram feitas as catequeses, pois os Astecas faziam seus rituais ao ar livre. Lâminas e espelhos de obsidiana, material usado em sacrifícios humanos, eram usadas para decorar cruzes a fim de criar uma associação com o sacrifício de Cristo. Os cuauhxicalli, recipientes de pedra usados para colocar os corações tirados das vítimas de sacrifício foram transformados em pias batismais. Assim a morte e o sacrifício continuaram a ser parte da cultura mexicana, mas com elementos pré-hispânicos assimilados na temática da morte e sacrifício de Cristo.

Cruz com espelho de obsidiana, na paróquia de São José em Ciudad Hidalgo, Michoacán (foto: Alejandro Liñares Garcia)

Construindo uma identidade nacional

É tentador tentar fazer uma correlação direta entre os rituais pré-colombianos e o Día de los Muertos. Afinal é uma explicação simples e linear: os cristianismo assimilou os ritos dos antigos Astecas, e as caveiras e oferendas que vemos hoje na celebração cristã de finados nada mais são do que a sobrevivência desses elementos. No entanto, muitos estudiosos mexicanos discordam que seja tudo tão simples assim. Enquanto muitos concordam que a festividade tem forte elementos pré-hispânicos, outros veem no Día de los Muertos uma versão “mexicanizada” de tradições europeias, na qual elementos pré-colombianos foram adicionados artificialmente para confeccionar uma identidade nacional mexicana criando uma associação com os astecas.

Segundo a historiadora especializada em estudos da morte Elsa Malvido, os costumes do Día de los Muertos tem origem na Europa medieval. A Igreja católica tinha em seu calendário litúrgico o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro) seguido pelo de Finados (2 de Novembro), durante os quais os fiéis faziam vigílias e montavam altares para os mortos. No altares, eram exibidas as relíquias dos santos, objetos que serviam de intermediários para a intercessão e os pedidos de clemência e perdão dos pecados. Por essa razão, os fiéis percorriam as igrejas, indo de altar em altar buscando absolvição.

Malvido afirma que a transformação deste ritos católicos implantados no México pela colonização espanhola em uma tradição especificamente mexicana teria sido uma estratégia política de Lázaro Cárdenas, que governou o país de 1934 a 1940. Cárdenas se associou com um círculo de intelectuais de esquerda que incluía Frida Kahlo (1907-1954), Diego Rivera (1886-1957), Octavio Paz (1914-1998) e José Clemente Orozco (1883-1949), em pleno auge econômico do país. Este grupo estava unido por uma característica em comum: a busca de uma identidade mexicana própria, que abraçasse o passado indígena e as tradições populares, e na qual o povo mexicano fosse o protagonista de sua própria cultura. Sob esta influência, Cárdenas teria reinventado a celebração católica de Finados, dando ênfase ao elementos pré-hispânicos a fim de minar a influência cultural da igreja e de construir uma identidade nacional específica de acordo com os ideais políticos com os quais se identificava.

“Dia de los Muertos” Diego Rivera-1924 (fonte: wikiart)

No entanto, Abigail Mesa, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Antropológica da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), afirma que há sim antecedentes pré-hispânicos para o Día de los Muertos. Havia, segundo ela, seis festas mexicas que celebravam os mortos, e que eram todas bastante parecidas com a festa atual. A mais parecida seria o Quecholli, em honra do deus da guerra Mixcoalt. Acreditava-se que nesse festival o morto tinha que atravessar sete níveis para alcançar o submundo, um caminho perigoso no qual ele tinha a companhia de um cachorro, o xoloescuintle. Para ajudá-lo, eram feitas oferendas de tamales, e flechas atadas de quatro em quatro. Essas oferendas eram depositadas em locais próximos dos túmulos de guerreiros, e ao cair da noite, queimadas.

A pesquisadora também pontua que os astecas costumavam enterrar os entes queridos no solo em baixo de casa, e que seus ossos eram convertidos em objetos de uso diário como ferramentas para que continuassem próximos da família, algo muito parecido com as relíquias cristãs exibidas e manipuladas nas igrejas. A morte de um familiar também era seguida de quatro dias de festividades, nas quais a família comia, chorava e fazia oferendas.

O Día de los Muertos como marca de “Mexicanidad”

O que é inegável é que, independente do que dizem os historiadores sobre sua origem, o Día de los muertos é uma tradição fortemente estabelecida e uma parte indispensável da identidade mexicana. É, sem sombra de dúvida, a maior festividade nacional, tanto que, em 7 de Novembro de 2003, a Unesco a declarou Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade.

Segundo a declaração da Unesco o Día de Los Muertos é:

“Uma das representações culturais mais relevantes do patrimônio vivo do México e do mundo, e como uma das expressões culturais mais antigas e de maior força entre os grupos indígenas do país”.

O documento também diz:

“Este encontro anual entre pessoas que celebram seus antepassados desempenha uma função social que recorda o lugar do indivíduo no seio do grupo e contribui para a afirmação da identidade.”

Nenhum outro evento cultural é visto como tão representativo da cultura mexicana e do ser mexicano, da “mexicanidad”. Quando qualquer pessoa no mundo pensa no México, é muito provável as primeiras imagens que passam pela sua cabeça sejam de caveirinhas coloridas e enfeites de papel picado. Qualquer filme, livro, programa de televisão ou produto cultural que tenha a ver com o México, forçosamente tem alguma referência ao Día de los Muertos. Há poucas celebrações no mundo que combinem tão completamente o ritual religioso familiar e a festividade nacional. A celebração começa em casa, na intimidade da memória e da saudade pelos que se foram, e se espalha para o espaço público, no qual a comunidade se une para honrar não apenas seus antepassados mas toda uma história e uma identidade compartilhada, marcada por séculos de colonização, conflitos, opressão, mas também por reinvenção, criação e contatos culturais.

Quando as gigantes do entretenimento Disney e Pixar, produziram um longa de animação inspirado pel cultura mexicana, o tema escolhido foi justamente o Día de los Muertos por ser um elemento cultural que não apenas representava uma identidade visual mexicana imediatamente reconhecível, mas também pelo imenso significado cultural e emocional da data. A equipe que produziu o filme teve que tomar o cuidado de trazer consultores para o projeto a fim de garantir que cada detalhe cultural estivesse correto. Quando “A Vida é uma festa” (“Coco” ) estreou no México a conexão emocional foi imediata: o filme foi um sucesso. Não interessou aos mexicanos que fosse uma produção norte-americana, o que os levou para as salas de cinema foi o reconhecimento de uma parte de sua cultura que os representava como povo.

Movie review: ‘Coco’
Dante, o cachorro do protagonista Miguel é da raça xoloescuintle, que os mexicas acreditavam servir de guia para as almas (direitos de imagem pertencem a Disney-Pixar)

A discussão a respeito da origem européia ou pré-hispânica perde muito de sua importância se consideramos que tradições são feitas de elementos que sobrevivem, elementos que são modificados ao longo do tempo e elementos que são assimilados através do contato com outras culturas. A tradição não surge em um vácuo, mas é o resultado de diversos contatos (nem sempre pacíficos). O Día de los muertos é uma tradição puramente Mexicana justamente por ser o resultado de contatos, conflitos, traumas e transformações que formaram o México como ele é hoje.

Altar decorado com cempasúchil, alfeñiques e papel picado (foto: Paola Ricaurte)

Materiais consultados:

Artigos/sites:

Elsa Malvido, La festividad de Todos Santos, Fideles Difuntos y su altar de muertos en México, patrimonio “intangible” de la humanidad (publicado em: Patrimonio Cultural y Turismo : cuadernos 16. Disponível online.)

Los teotihuacanos exhumaban a sus muertos y los honraban con maquillaje

MexicoLore: Sacrifice in the pre-hispanic Mixotec codices

MexicoLore- Syncretism :Aztec Christians

Orígenes profundamente católicos y no prehispánicos, la fiesta de día de muertos

Dos historiadoras encuentran diverso origen del Día de Muertos en México

Livros:

Bernardino de Sahagún, Historia General de las Cosas de la Nueva España (disponível na Biblioteca Gallica para consulta online)

D.Stuart, David La ideología del sacrificio entre los mayas. Cidade do México City.: Editorial Raíces. (2003)

J. Ochoa, J. La muerte y los muertos. México: SepSetentas.(1974). 

L., Ramos, Culturas clásicas prehispánicas: Las raíces de la América indígena. Madrid: Anaya. (1988)

 M.E. Smith, M. E. . The Aztecs (2ª ed.). Oxford: Blackwell Publishing. (2009)

T. Knab,  The Dialogue of Earth and Sky: Dreams, Souls, Curing and the Modern Aztec Underworld. Tucson: University of Arizona Press. (2004)

Universidad Nacional Autónoma de México. Ofrenda de Muertos. México: UNAM (1998)

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